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Brasília - 3 de abril de 2025 - 2:31h

Evento no Rio homenageia Rubens Paiva

Foto: Alexandre Braz/Coluna Esplanada
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Por Alexandre Braz, repórter da Coluna

O evento “Ocupa Rubens Paiva: Tortura Nunca Mais” foi realizado na última quinta-feira (27) em frente à antiga sede do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Reuniu movimentos sociais, artistas, organizações ligadas aos direitos humanos, políticos e sindicatos.

O ato, ocorrido na Praça Lamartine Babo, homenageou o engenheiro, parlamentar e preso político Rubens Paiva, torturado e morto durante a Ditadura Militar. A iniciativa foi organizada pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro (Senge-RJ). Na ocasião, familiares de Rubens também foram homenageados.

“Estamos chegando a mais um aniversário do golpe empresarial-militar (1° de abril) que infelicitou o País por 20 anos (1964-84), e estamos vendo que a defesa desse regime autoritário, de exceção, de censura, tortura e ditadura está aí. Inclusive, o nosso ex-presidente da República é um defensor e trata um torturador como o coronel Carlos Ustra como um grande herói. É um atraso, um obscurantismo. Essa mobilização é fundamental para a vida nacional, para honrarmos as futuras gerações”, disse o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ).

Políticos como Tarcísio Motta (Psol-RJ), Jandira Feghali e Dani Balbi (ambas do PCdoB-RJ), estiveram presentes. Antes do ato político, foi realizada uma mesa com falas de pessoas que sofreram com a violência no Rio, como Janaína Mattos, mãe do garoto Jhonata Dalber, morto aos 16 anos em 2016, no Morro do Borel, no mesmo bairro do encontro. Muito emocionada, a mãe relatou sua dor por perder o filho, vítima de um tiro proveniente de uma troca de tiros entre policiais e traficantes.

A vereadora Marielle Franco, assassinada há oito anos no Rio, também foi lembrada nos discursos. A ex-vereadora Mônica Cunha foi uma das que mencionaram a ex-parlamentar do Psol. Ela destacou que a dor de pessoas anônimas é silenciosa, quase invisível, e que, por isso, não consegue “tocar” a sociedade no seu cotidiano, apesar de ser recorrente. Mônica Cunha perdeu o filho Rafael, assassinado há mais de 20 anos.

Uma tenda com a exposição “Engenheiro Rubens Paiva, Presente” foi montada no local durante a solenidade. A curadoria é do jornalista e historiador Vladimir Sacchetta. No espaço do encontro, há um busto de Paiva, inaugurado em 2014, também por iniciativa dos organizadores do evento. O DOI-Codi foi uma prisão ilegal, onde presos políticos foram torturados e assassinados.

Roberto Freire, presidente da Fisenge, falou sobre a motivação para as homenagens e destacou a importância de se fortalecer a democracia brasileira.

“Este ato é importante para que lembremos sempre que torturadores, golpistas e fascistas estão sempre presentes entre nós, e precisamos oferecer resistência a essas ações. Rubens Paiva era nosso companheiro, foi torturado e morto dentro desse quartel (ao lado do evento). Estamos aqui lembrando mais uma vez. Não devemos sucumbir. A tortura não pode ser aceita ou relativizada”, afirmou Freire.

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